Por Argos G. D. Rodrigues – Tomazina, 27/07/2026
- Início de tudo
A Canoagem Slalom surgiu na minha vida no início da década de 90 para resolver um problema “sem solução” ao qual havia me metido em 31 de outubro de 1988 quando, em companhia da Associação Comunitária de Estudantes de Ibaiti, acabamos inventando o Festival de Canoagem de Tomazina.
Quem presenciou uma de suas edições daqueles áureos tempos, sabe que se tratava de uma das maiores festas regadas a cerveja e música do Norte Pioneiro do Paraná. É bom deixar claro, entretanto, que o objetivo inicial principal do Festival nunca foi o desenvolvimento do esporte em si, mas sim conseguir recursos para que o grupo de estudantes universitários de Ibaiti tivesse um importante auxílio econômico capaz de reduzir significativamente o alto custo do transporte necessário para fazer 200 km diariamente.
Além do esporte não ser o objetivo principal, absolutamente ninguém da associação entendia algo sobre canoagem. E pior, eram tempos sem internet, sem celular, o telefone fixo custava o preço de um carro, não havia Federação Paranaense, a CBCa iniciando suas atividades sem nenhuma estrutura e pouquíssimos clubes existentes em todo o Brasil, no Paraná as ações que envolviam caiaques eram próximas de zero. Havia, sim, alguns lampejos de estruturação associativa em Londrina e Curitiba, porém sem qualquer condição de auxiliar em nossos objetivos.
Diante desse cenário caótico, na segunda feira anterior a 31 de outubro de 1988, data do primeiro evento, somente eu e meu irmão estávamos inscritos para a “competição de canoagem” a ser realizada no 1º Festival de Canoagem de Tomazina. Para complicar ainda mais, a expectativa era de presença de um público enorme, diante da novidade e do marketing desenvolvido através de cartazes nas faculdades de Jacarezinho onde estudávamos. Estava claro para nós que todo mundo estaria no evento, fato confirmado e alertado para nós da rádio mais ouvida da região que não parava de divulgar o evento e que seria a responsável pela animação local. De fato, tinha tudo para ser um sucesso de público, porém quanto ao esporte em si……
E realmente a expectativa de público se concretizou. Tomazina é uma pequena cidade paranaense que na época tinha uma população de pouco mais de 5.000 (cinco mil) habitantes e nos três dias desse primeiro evento esse número simplesmente triplicou segundo relatos das autoridades locais da época. Foi quase um Woodstock com centenas de barracas armadas em cenário de rara beleza cênica que é o Parque das Corredeiras e um povo bonito avido em curtir a vida, bebendo, churrasqueando sob a animação da FM Vale do Sol.
Entretanto, para aqueles que se deslocaram a Tomazina com objetivo único de conhecer e assistir a apresentação de um novo esporte radical que estava apenas engatinhando no Brasil, só não saírem sem ver nenhum barco porque aos 52 minutos do segundo tempo, fui informado por um amigo que havia uma equipe na Cidade de Ourinhos com aproximadamente 40 atletas. A equipe do Trujilo nos mostrou, desde o primeiro momento, que canoístas, simplesmente não existiam no Brasil ou eram muito difíceis de serem encontrados.
Ocorre, porém, que independentemente da boa vontade e generosidade que o grupo de canoístas demonstrou para auxiliar no evento, a única formatação de canoagem que sabiam era largar de um ponto e chegar em outro e “seja o que Deus quiser”. A principal observação repassada realmente importante foi de que a largada deveria ser dada individualmente a cada minuto. Se deixassem para mim largariam todos ao mesmo tempo e seria um caos total, pois nos primeiros 1.000 metros se encontravam fortes corredeiras. Com essa dica importantíssima, definimos um trajeto no Rio das Cinzas de aproximadamente 16 km com a chegada triunfal no local do fervo onde todos estariam ansiosamente esperando. Uma estratégia realmente perfeita.
Sem entrar nos absurdos técnicos que envolveu medir o trajeto esticando cordas, verificar locais perigosos que necessitavam portagens com pessoas que sequer sabiam nadar, montar equipe de resgate etc., etc., dos quais me envergonho profundamente pelo excesso de burrice da minha parte, o fato é que sabíamos apenas o horário e local de largada para passar para o público e mídia. Porém não tínhamos a menor ideia do horário de chegada do principal atleta, imagine então do atleta mais ruinzinho….E mais um detalhe para finalizar: “ninguém me avisou que eram necessários jalecos com numerais para cada atleta para o mínimo de organização”.
Resultado do caos. No primeiro evento fomos encontrar o atleta mais ruinzinho ao anoitecer agarrado em uma árvore de espinhos, quase afônico de tanto clamar por socorro. Sorte que nos eventos seguintes ele não apareceu mais (ouvi falar que doou seu barco logo após a prova) …. E, claro, absolutamente ninguém que estava na festa ficou na margem do rio esperando os “grandes” atletas chegarem. Exaustos de esperar na chegada, todos foram curtir o som e degustar da cerveja gelada, verdadeiros responsáveis pelo sucesso absoluto do evento. Aliás, diga-se de passagem, até mesmo o árbitro de chegada não aguentou ficar por horas esperando e resolveu dar um pulo na festa. Ao ser questionado, relatou em sua defesa, de forma bastante embriagada, ter imaginado que o evento tinha sido cancelado ou que os atletas erraram o rio.
E assim aconteceu o primeiro Festival de Canoagem de Tomazina para deleite das milhares de pessoas que estiveram presentes, prometendo retornar no ano seguinte. Na parte esportiva percebemos que devíamos melhorar “um pouco” pois as atividades se não tivessem sido trágicas teriam sido cômicas.
- Surgimento da Canoagem Slalom no Paraná
A loucura das provas de 16 km ainda perdurou alguns anos até que o destino me aplicou uma peça. Ao passar por uma banca de jornais me deparei com a Revista Náutica, onde na capa havia a menção de como montar uma pista de Canoagem Slalom, termo que eu desconhecia por completo, aliás, sequer sabia existir a possibilidade de se fazer canoagem sem longas distâncias percorridas (quando soube, passei a novidade para a equipe do Trujilo). A apresentação dessa possibilidade foi escrita, de forma brilhante, pelo Guto Merkle, grande baluarte da canoagem nacional que mais tarde acabei conhecendo e ficando amigo. O fato é que naquela revista estavam traçadas as linhas para a solução do Festival de Canoagem de Tomazina. Tratava-se de uma prova que estava surgindo nos Jogos Olímpicos (Barcelona) e que necessitava apenas de 350 a 400 metros. Com a implantação dessa nova modalidade, o público do Festival teria como ver e conhecer o esporte da canoagem.
O texto do Guto Merkle estava realmente muito bom, porém a burrice do organizador do evento continuava a mesma, independentemente do avanço acadêmico. Não foi fácil entender o que era “porta”, “crossbar”, “cabos sobrepostos ao rio” e assim por diante. Para solucionar a questão dos cabos fui até a cidade portuária de Paranaguá e trouxe cordas que era para aguentar o tranco. Para se ter ideia foi necessário o trator da prefeitura para esticá-las (pois se tratavam das cordas utilizadas em amarras de navio). Quando descobri que os cabos gigantescos eram para colocar apenas dois bambus, o prefeito da Cidade me chamou para uma conversa….. Seguindo, ainda, na interpretação literal do texto, as balizas teriam que estar nas cores verdes e outras vermelhas. Com uma moita enorme de bambus ao lado da pista e o prefeito já bastante decepcionado com o nível intelectual da equipe organizadora querendo economizar, bastava uma lata de tinta vermelha para pintar a metade de um bambu e os obstáculos estariam prontos… E assim começou a Canoagem Slalom em Tomazina e em minha vida. Bambus verdes, ao natural, e bambus metade mergulhados em um balde com tinta vermelha.
- Aprendizado e legado
Com o passar dos anos, surgimento da internet, celular, youtube e uma série de avanços que transformou o mundo, até mesmo a organização dos Festivais de Canoagem foi melhorando. O problema é que eu me formei no ano de 1990 e deixei a associação de estudantes que organizava o evento, porém, mesmo com o diploma na mão, eu havia me identificado com aquele esporte maluco e não gostaria que o evento encerrasse pois ainda era importante para a região do Norte Pioneiro.
Assim as coisas fluíram até o ano de 1993 quando então assumiu a gestão local uma pessoa com verdadeira aversão ao Festival, mas que me fez enxergar um lado que eu desconhecia do esporte. Após várias tentativas fracassadas de agendar uma reunião com o novo prefeito a fim de conseguir a parceria necessária para a realização do evento anual, certo dia aproveitei a ausência da secretária e ingressei no gabinete que estava com a porta aberta. Ao me identificar, de cara amarrada e sem nenhum receio de mostrar sua insatisfação com a minha presença, sua excelência prelecionou: “sei muito bem quem é você e já que conseguiu chegar até aqui, senta aí e ouça”.
A conversa não começou boa e tampouco terminou boa. Em síntese o prefeito me disse o seguinte: “rapaz, eu poderia viver em qualquer lugar do mundo com minha família e escolhi Tomazina pelo sossego e paz de espírito. Você acha mesmo que eu e a maioria da população gostamos desse Festival que simplesmente aniquila com o nosso sossego e que transforma em caos a nossa Cidade por três dias consecutivos?”. E tem mais, continuou sua excelência: “a partir de hoje se quiser eventos vai ter que bancar sozinho, não haverá mais auxílio do Município”. Obviamente que a primeira a abandonar o barco foi a própria associação de estudantes, pois a entidade não dispunha de recursos para investimento antecipado, necessário para um evento dessa magnitude”.
Bati no peito e esbravejei como nunca: “se ninguém quer eu faço sozinho”. Nesse momento comecei a perceber a importância do patrocinador, pois o resultado do evento foi trágico. No final desse festival eu devia dois veículos “gol” 1000, zero quilômetro. E não tinha para onde correr, aliás, tinha que correr dos gerentes dos bancos que me financiaram na loucura. Foi muito difícil reerguer financeiramente, ainda mais se tratando de um advogado recém formado, sem receita suficiente para arcar com os compromissos assumidos. Com apoio da família e de alguns amigos, depois de muito tempo consegui me reerguer.
Por outro lado, essas loucuras todas chamaram a atenção do presidente da Confederação Brasileira de Canoagem, que naquela época já tinha fax, computadores e etc. O saudoso João Tomasini Schwertner começou a me acompanhar nas loucuras, porém com o olhar voltado para o esporte e não para a festa em si. Assim começou a surgir a Federação Paranaense de Canoagem, a Associação Tomazinense de Canoagem, a Associação Ribeirão Clarense de Canoagem, a Associação Tibagiana de Canoagem e assim por diante…
Acabei me envolvendo profissionalmente com o esporte ao ponto de praticamente abandonar a profissão de advogado para me ater exclusivamente no crescimento da Canoagem no Estado do Paraná e do próprio Brasil. Aprendi muito de gestão esportiva no decorrer de todos esses anos sendo a participação na primeira turma do Curso Avançado de Gestão Esportiva (CAGE), promovido pelo Comitê Olímpico Brasileiro, o verdadeiro divisor de águas. Ali sim, através da análises SWOT, desvendei as forças e oportunidades, as fraquezas e ameaças que envolviam o esporte e a minha própria vida.
Não posso reclamar de nada que me aconteceu dentro do esporte, pois foi através dele que tive a oportunidade de conhecer locais interessantes no mundo, de crescer intelectualmente em ocasiões de aprendizagem proporcionadas pelo COB, ME, Itaipu Binacional e pela própria CBCa. Meu TCC no CAGE foi a criação de um projeto modelo capaz de aumentar o número de atletas para o Brasil. Hoje o Projeto Meninos do Lago conta com mais de 1000 crianças envolvidas com o esporte dentro de seus redutos escolares com o aproveitamento de piscinas nos centros estudantis do Município de Foz do Iguaçu. Esse feito foi reconhecido formalmente pela Federação Internacional de Canoagem como o maior ou um dos maiores projetos sociais de canoagem do mundo.
Sem contar que meus filhos legítimos me deram enormes alegrias em importantes competições internacionais e, além deles, filhos ilegítimos até hoje trazem muitas medalhas para o Time Brasil. Tenho ciência que fiz uma parte considerável do esporte para o País e para o Estado do Paraná. Foram muitos os aprendizados nesses anos de vida. Até mesmo o prefeito que me fez enxergar de forma diferente o evento para a população de Tomazina, hoje entendo que ele estava completamente correto em sua análise. Aliás, resido atualmente em Tomazina, procurei uma Cidade para viver onde não existe um semáforo, o arranha céu possui três andares (se bem que são duas torres, é bem verdade) e a hora do rush demora intermináveis três minutos de segunda a sexta feira exatamente a uma quadra da minha casa, em um local onde a rodovia cruza com o trânsito da Cidade próximo à ponte. E quer saber mais, agora como cidadão tomazinense, não quero nem pensar em reviver aqueles grandes festivais de outrora.
- Canoagem Slalom em um rolamento
Mas todo esse textão inicial serve apenas para tentar dar um pouco de credibilidade para a redação que inicio nesse exato momento a qual pretendo que atletas, treinadores, pais, dirigentes, representantes de mídias oficiais e outras pessoas envolvidas com o esporte comece a rever alguns conceitos para o bem da própria canoagem brasileira.
Começo com a discussão inócua de quem veio primeiro o ovo ou a galinha? Segundo a IA: “Embora a pergunta seja antiga e paradoxal, a resposta científica mais aceita é que o ovo veio primeiro, e a galinha surgiu posteriormente a partir de mutações genéticas dentro de ovos de aves ancestrais. Isso demonstra como a evolução trabalha de forma contínua e gradual, sem saltos abruptos, e como pequenas mudanças ao longo do tempo podem gerar novas espécies”.
Na minha humilde opinião, isso não tem o menor sentido e tampouco se deve perder tempo com essas teorias muito apropriadas para os devaneios de maconheiros sem muitas inspirações. Assim como tenho enormes dificuldades em atribuir ao atleta como sendo o principal elo da cadeia esportiva. Nunca gostei ou prelecionei no sentido de afirmar de forma demagógica, apenas para ganhar likes, que o atleta é a peça mais importante do processo.
Inquestionavelmente que sem atletas não haverá eventos esportivos. Pode até acontecer novos Festivais de Canoagem de Tomazina, como já ocorreram no passado, sem nenhum atleta, porém hoje não dá mais para chamá-los de eventos esportivos. Assim como não consigo vislumbrar eventos sem árbitros, sem patrocinadores e sem entidades organizadoras. À partir de agora, vou apenas me ater à Canoagem Slalom, onde continuo dedicando boa parte da minha vida para o seu crescimento e estruturação. Dessa forma, permitam-me fazer alusão àquele pequeno rolamento muito utilizado nos carrinhos de rolimãs.
O que segura toda estrutura são os anéis interno e externo aos quais defino como sendo o esporte em si: a Canoagem Slalom. Esses círculos de aço são, sem sombra de dúvidas, as peças mais importantes para os objetivos pretendidos pois permitem a rotação controlada entre as partes. Essas estruturas circulares que formam o corpo do rolamento têm que ser preservadas ao máximo, sob pena de quebra de todo o sistema formado por elementos rolantes que reduzem o atrito entre os anéis, transferindo a carga de forma eficiente. Em resumo funciona assim:
Claro que além desses elementos rolantes citados, existem vários outros que poderiam ser incluídos como, por exemplo, os pais dos atletas, patrocinadores, equipe técnica e assim por diante. Mas vamos nos ater apenas aos oito temas mencionados acima. Definitivamente, se não houver sintonia fina que permita harmonia e alinhamento profundo permitindo que o rolamento funcione de maneira integrada e eficiente o resultado poderá ser trágico. Na minha concepção não existem elos mais ou menos importantes.
- Canoagem Slalom matematicamente na corda bamba
Considero a Canoagem Slalom o esporte plasticamente mais bonito e também o mais difícil de ser executado dos Jogos Olímpicos. O atleta tem que acertar 25 alvos em 80 segundos aproximadamente, correndo em pistas completamente inóspitas nunca com o mesmo formato de atuação.
Se não é fácil para os atletas, o que imaginar então da atuação dos árbitros. Supondo que no evento existam 300 embarcações x 25 portas. Serão ao todo 7.500 portas para se atender em apenas uma única descida. Considerando que em uma porta existem duas balizas para os árbitros prestarem a atenção, serão 15.000 balizas para ficarem atentos durante todo o evento que se refere à primeira fase da competição. Depois temos ainda as semifinais e finais. Dessa forma, considerando hipoteticamente que apenas 30% passa para as semifinais e 10% para as finais, teremos ainda mais quarenta por cento de atuação incisiva dos árbitros, ou seja, além das 15.000 balizas temos que adicionar mais 6.000 balizas perfazendo o total de 21.000 balizas para serem observadas no decorrer do campeonato.
Claro que esse número todo deverá ser dividido pelo número de árbitros pois não diz respeito a apenas um árbitro, mas sim de todos que compõe o corpo de arbitragem. Agora, é bom que se deixe claro, esse número exorbitante diz respeito a apenas um sistema de análise de vídeo que deverá ser preciso nas 21 mil balizas de observação. Mas voltando à difícil carga atribuída aos árbitros, vamos dividi-las em 25, ou seja, um árbitro para cada baliza. Vinte e uma mil balizas divididas por vinte e cinco árbitros dará o resultado de 840 balizas para serem atendidas por cada árbitro durante todo o evento. Deve ser o esporte com o maior quadro de arbitragem dos Jogos Olímpicos, se não for o maior, com certeza será um dos maiores e isso importa em custos relevantes.
Definitivamente não é uma tarefa fácil, ainda mais se considerarmos que em muitos eventos os árbitros servem de forma completamente abnegada, ou seja, renunciam aos seus desejos em benefício dos atletas e das instituições. Por isso e por outras, eles devem ser considerados altruístas e desinteressados pois não há remuneração e ainda por cima enfrentam por horas as intempéries peculiares aos esportes realizados ao ar livre.
Para os elos presentes no rolamento acima mencionados que possuem o mínimo de sensatez conseguirão entender, de forma natural, que essa disciplina esportiva escolhida é complexa e eventuais erros fazem parte do processo e ponto final. Pelos números apresentados os erros fazem parte natural desse esporte e para solucionar isso, somente se tirássemos os alvos ou as balizas e, consequentemente, a participação dos árbitros. Imagino que os apaixonados não querem isso. Se não querem, devem aprender a respeitar eventuais erros das arbitragens que são naturais a esse esporte e JAMAIS procurar justificativas para o seu fracasso pois isso mancha a reputação da própria Canoagem Slalom. Quem faz isso, faz um verdadeiro desserviço ao esporte.
Aliás, reclamações públicas, ainda mais de atletas e órgãos oficiais, não auxiliam em nada à manutenção da Canoagem Slalom na programação oficial dos Jogos Olímpicos que vive sendo mencionada para deixar o mais importante evento esportivo mundial. Já não bastassem os altos custos estruturais e de manutenção, a disciplina possui poucas bandeiras participando nas modalidades masculinas e femininas. A Canoagem Slalom não consegue sequer chegar ao patamar mínimo flertado pelo Comitê Olímpico Internacional e isso tem incomodado muito. Não tenho dúvidas que um dos motivos pela falta de bandeiras é exatamente a complexidade encontrada pelos países em montar um quadro de arbitragem que é muito mais difícil do que se construir atletas….
- Um exemplo a ser seguido
No último mundial realizado nos Estados Unidos, gostei da declaração de um dos atletas da equipe brasileira. Esse atleta um dia me emocionou muito me chamando de pai e que eu considero um daqueles muitos filhos ilegítimos que mencionei anteriormente nesse texto. Por coincidência leva o mesmo sobrenome: Pepe Gonçalves.
Trata-se de um atleta que eu acompanhei de perto sua evolução técnica e intelectual. Cresceu muito em todos os sentidos e o auge de sua maturação se deu ao comentar após o evento de que estava desapontado com os seus resultados decorrentes dos erros técnicos cometidos. Fez uma autoanálise bastante clara da sua situação como desportista preservando sobremaneira o rolamento como um todo da Canoagem Slalom.
Essa é a conduta assertiva que faço questão de tentar repassar às centenas de crianças e adolescentes com os quais ainda convivo no Projeto Meninos do Lago ou na Associação Tomazinense de Canoagem. “Jovem atleta, se você escolheu a Canoagem Slalom para dedicar sua vida esportiva, conheça e respeite todas as engrenagens que compõem o ROLAMENTO, com carinho muito especial para a arbitragem”.


